domingo, 19 de abril de 2009

Você já passa mais tempo na Internet do que vendo TV

Antonio Brasil (*)

Talvez você não tenha percebido. As mudanças de hábitos midiáticos costumam ser lentas. Talvez você precise ser alertado pelo crítico ou por alguma nova pesquisa sobre a sua vida.

Mas segundo matéria divulgada pela Reuters (ver aqui), o “Brasileiro já passa três vezes mais tempo na web do que vendo TV. 81% dos participantes da pesquisa apontaram o computador como meio de entretenimento mais importante.

Em uma longa trajetória que começa com os velhos jornais nos séculos XVII, esse agora é um momento importante da relação do público com os meios de comunicação de massa.

O fim da hegemonia da TV era previsível. Mas não se esperava essa transformação em tão pouco tempo. A entrada da Internet na nossa vida foi avassaladora. Você consegue imaginar a sua vida sem emails, acesso a jornais online, ao Google ou aos vídeos do YouTube? Parece impossível. Mas até 1994, pelo menos aqui no Brasil, Internet era coisa de ficção científica. Pelo jeito, não é mais.

De acordo com a pesquisa da Deloitte, “os consumidores brasileiros gastam, atualmente, 82 horas por semana utilizando diversos tipos de mídia e de entretenimentos tecnológicos, como o celular. Para a maioria dos consumidores, o computador superou a televisão em termos de entretenimento.”

A grande maioria dos participantes da pesquisa, 81%, indicou “o computador como o meio de entretenimento mais importante em relação à TV. Outro grupo de pesquisados, 58% preferem os videogames, principalmente os jogos online como sua principal fonte de diversão.

Esta foi a primeira vez que os brasileiros foram incluídos na pesquisa sobre "O Futuro da Mídia". Nas versões anteriores, somente os EUA, Japão, Alemanha e Grã-Bretanha eram entrevistados. Segundo a Delloite, dos 9 mil participantes, 1.022 eram brasileiros.

Esse dado também denota a crescente importância e relevância do público brasileiro no universo da comunicação pela Internet.

Por outro lado, a pesquisa também indica que os brasileiros se sentem limitados na Internet pela velocidade e qualidade de sua conexão. Mas 85 % dos entrevistados disseram que estão dispostos a pagar mais para ter conexões mais velozes. As pessoas com mais de 43 anos declaram que pagariam mais por um serviço melhor e mais rápido.

Outro dado importante nessa revolução midiática é a importância aferida à mobilidade e portabilidade dos novos meios. 92% dos entrevistados declaram que utilizam celular. Os programas e acessórios mais utilizados são as mensagens de texto com 92%, câmera digital 78%, jogos 67% e a câmera de vídeo 62%.

Lan Houses no sertão
E como esta mudança de mídia está acontecendo no Brasil?

Outra investigação sobre hábitos midiáticos dos brasileiros divulgada esta semana nos fornece a resposta. A 4ª Pesquisa Sobre Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) - TIC Domícilios 2008 indica o crescimento das polêmicas Lan Houses no Brasil.

Elas podem não ser “bem-vistas” por parcela considerável dos gestores da Internet brasileira, mas as Lan Houses mostram cada vez mais a sua importância para um grande segmento de brasileiros. Quando falamos de exclusão digital no Brasil, costumamos apontar números que revelam a falta de computadores e conexões de Internet nas residências da maioria dos brasileiros.

O problema é que não considerávamos o crescimento de acesso à rede em locais públicos como as Lan Houses ou nos locais de trabalho. Muita gente acessa a Internet enquanto trabalha e não declara nas pesquisas. Não pega bem o patrão saber que estamos conectados no Orkut enquanto deveríamos estar produzindo riquezas para ele.

Apesar de não serem “bem-vistas” por boa parte dos gestores da Internet nacional, as Lan Houses mostram mais uma vez a sua força. Além de serem o principal meio de acesso à Internet nas áreas urbanas, elas também lideram nas áreas rurais, mesmo com problemas de infraestrutura - falta de oferta de redes.
E o fenômeno das Lan Houses não se restringe às áreas urbanas. Segundo a pesquisa esse pontos de acesso público à Internet já respondem por 48% de todo o volume de comunicação da rede no Brasil - 47% na área urbana e 58% na rural.

A Internet e as Lan Houses mudam os hábitos midiáticos dos brasileiros. A TV, como a conhecemos, aquela que nos aprisiona em grades com novelas ruins e telejornais muito chatos, está virando um monumento ao passado. Assim como tínhamos em nossas residências um “altar para orações”, rádio de ondas curtas ou pingüim na geladeira, ainda temos o velho aparelho de TV na sala de estar. Mas esse cenário está mudando.
Você pode não ter percebido, mas a TV não é mais tão poderosa. Ela não nos domina como antes. Não é mais a nossa principal fonte de diversão ou o melhor meio de comunicação com o mundo. Mas ainda fatura fortunas, impõe respeito e pode eleger ou derrubar presidentes.

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